quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Cris Rocha

Cris Rocha
Fui uma adolescente como a maioria. Tinha muitos sonhos e uma expectativa de vida feliz. Aos 20 anos já trabalhando para ajudar meus pais a não terem tantas despesas comigo, pois tinha um sonho: cursar medicina na uff. Além das obrigações também tinha o lazer e assim passei a freqüentar um grupo de dança de salão que se tornou na época meu point preferido, encontrava os colegas do grupo e sempre que era convidada me apresentava nos locais predestinados para dançar. Assim conheci Cícero Ailton, que chamávamos de Ailton. Depois de quase 1 ano e meio de convivência nestes espaços resolvemos namorar , não imaginava que a partir daí estaria traçando uma tragédia em minha vida . Sempre fui ligada diretamente ao culto de origem afro descendente na e não imaginava que isto seria também um dos grandes desagrados para o ofensor que trouxe para minha vida uma grande decepção no que se refere à convivência com ele. Dentre as inúmeras coisas que tive que abrir mão para não desagradá-lo tais como : parei de dançar , me afastei dos amigos e por fim sufocada com tanta reprimenda resolvi terminar o namoro que já estava caminhando para o casamento antes que ele me proibisse de mais alguma coisa resolvi terminar o namoro . Já estávamos em 4 de dezembro de 1994 . Foi então que 8 meses depois , o homem que um dia havia dito que me amava abordou covardemente com 3 tiros a queima roupa . Motivo: o simples fato de eu não querer permanecer com ele. Então aos 22 anos de idade fui violentamente agredida por arma de fogo numa covarde tentativa de homicídio, qualificado por motivo torpe. Sobrevivi, por causa do tiro que atravessou minha cabeça fiquei cega e desde então sou deficiente visual com perda total da visão . Consegui através de muitos esforços fazer faculdade, sou baixarel em direito pela Universidade Veiga de Almeida, bolsista, fiz o 1º ENEN, atravessei um grande e doloroso caminho para a reabilitação e a retomada aos estudos, mas venci. Sou MILITANTE da PAZ, sim, pois minha bandeira é pela UNIDADE entre homens e mulheres, acredito que é nosso dever acabarmos com tanta violência direcionada as mulheres que na maioria das vezes sequer tem força ou coragem de reagir. Venho de uma época que sequer tínhamos esta violência reconhecida legalmente, graças a Maria da Penha que ao sofrer tantas agressões foi a luta e denunciou não só o seu agressor mas também o nosso país que não se posicionava neste sentido . Quero propor as famílias que eduquem suas crianças no sentido de que quando um relacionamento não vai bem não se faz necessário tanta ta atrocidade, afinal as violências são muitas como: física, psicológica, familiar, financeira, social entre outras. As crianças na maioria das vezes presenciam tudo e acabam tendo uma visão retorcida do que é uma família. Daí a importância de fazermos um trabalho de proteção também para estas crianças. Quero muito ter a oportunidade de também desenvolver políticas públicas voltadas à melhoria na qualidade de vida dos portadores de necessidades especiais, uma vez que, ao passar a fazer parte deste universo posso verificar tantas ausências sociais e Estatais para com esta fatia de pessoas. Sou Mulher, candomblecista praticante, milito pela igualdade social para todos, liberdade para mulheres no sentido amplo, crianças protegidas e na escola, enfim sei que não é uma fácil caminhada, mas é necessário que se faça. Tenho certeza que juntas e juntos faremos a diferença. Sem violência, mais segurança, educação de qualidade, lazer e mais oportunidade de emprego.

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